Uma nova matéria

Existe uma matéria que não pesa. Não ocupa prateleira, não precisa de galpão, não conhece o clique do obturador. Ela nasce inteira dentro de um render, e no instante em que a luz…

Existe uma matéria que não pesa. Não ocupa prateleira, não precisa de galpão, não conhece o clique do obturador. Ela nasce inteira dentro de um render, e no instante em que a luz digital toca sua superfície, já é mais real do que muitas fotografias. O CGI deixou de ser truque de bastidor para se tornar uma nova forma de matéria-prima: infinita, maleável, disponível antes mesmo de existir no mundo físico. É a imagem se emancipando da câmera.

O laboratório substituiu o set

Por mais de um século, produzir imagem significou capturar algo que já estava lá. Agora, a lógica se inverte: primeiro se cria a matéria, depois se decide o que ela será. O digital virou laboratório, e a escala dessa mudança de estado não é retórica. O mercado global de imagem gerada por computador foi avaliado em 5,80 bilhões de dólares em 2025 e deve crescer a uma taxa de 14,6% ao ano até 2035 (Emergen Research).

O que sustenta esse salto não é a novidade técnica em si, mas o que ela permite: criar desde efeitos visuais compostos em cenas reais até ambientes e personagens inteiramente sintéticos, produzidos sem nenhuma câmera física (Emergen Research). A imagem se torna material de construção, não de registro.

Quando o real e o renderizado se fundem

A produção virtual é o ponto onde essa nova matéria encontra o corpo físico. Palcos de LED, rastreamento de câmera e render em tempo real dissolvem a fronteira entre o que foi filmado e o que foi gerado, tudo dentro do mesmo quadro, no mesmo instante. E é justamente aí que a aceleração se torna mais evidente: o mercado de produção virtual superou 2,9 bilhões de dólares em 2025 e deve crescer a 21,1% ao ano até 2035, impulsionado pelo aumento das aplicações em anúncios comerciais (Global Market Insights).

A publicidade não é coadjuvante nesse movimento. Entre os segmentos, os grandes estúdios de cinema concentraram 37,62% do mercado de produção virtual em 2025, mas são as agências de publicidade e marketing que devem crescer mais rápido, a uma taxa de 23,42% ao ano (Mordor Intelligence). A marca que entende de imagem sintética deixa de depender do que existe para passar a projetar o que ainda não foi construído.

A vantagem de criar antes de existir

Há algo profundamente estratégico nessa mudança. Quando a matéria é digital, o produto pode ser visto antes de ser fabricado, o cenário pode ser habitado antes de ser erguido, a campanha pode existir sem estoque, sem frete, sem logística. A imagem se antecipa ao mundo. Não por acaso, entre os efeitos colaterais desse deslocamento estão ganhos que vão além da estética: estudos documentaram reduções de 20% a 50% nas emissões de gases de efeito estufa quando as produções migram para palcos de LED em tempo real, refletidas também na queda de custos de locação, transporte e horas extras (Mordor Intelligence).

É uma economia de possibilidades, não apenas de recursos. A nova matéria não substitui o real: ela expande o repertório do que uma marca pode imaginar e, sobretudo, mostrar.

Uma matéria que ainda está sendo escrita

Talvez o mais interessante seja perceber que essa matéria não tem forma definitiva. Ela é o que a ideia decidir que ela seja. E é exatamente por isso que dominá-la não é uma questão técnica, mas de imaginação: a ferramenta só vale o pensamento que a conduz. Na MNNO®, é nesse território que a TRESSDE trabalha, tratando o render não como acabamento, mas como o começo de uma linguagem. Se a imagem passou a existir antes do mundo, cabe a quem a cria decidir que mundo vale a pena mostrar primeiro.