Uma nova dimensão da imagem

Houve um tempo em que a imagem servia à realidade. A câmera existia para capturar o que já estava diante dela: um produto sobre a mesa, um modelo em estúdio, uma paisagem ao…

Houve um tempo em que a imagem servia à realidade. A câmera existia para capturar o que já estava diante dela: um produto sobre a mesa, um modelo em estúdio, uma paisagem ao entardecer. Hoje, essa relação se inverteu. A imagem deixou de ser um registro do que existe para se tornar a construção do que ainda não existe. O que antes exigia set, locação e equipe agora nasce inteiro dentro de uma tela, pixel por pixel, sem que uma única lente seja apontada para nada.

Quando a câmera se torna opcional

O CGI não é mais um recurso de exceção reservado a orçamentos de cinema. Ele se tornou infraestrutura da comunicação de marca. O mercado de CGI na publicidade deve crescer a um ritmo de 19,9% ao ano, chegando a 13,44 bilhões de dólares até 2028, um salto que mostra a velocidade com que a criatividade digital está transformando a comunicação de marca (Welpix). Não é apenas um número de mercado: é o sinal de uma mudança de fundamento sobre como as imagens passam a existir.

Esse crescimento acompanha um movimento mais amplo. O mercado global de serviços de imagem gerada por computador, avaliado em 9,26 bilhões de dólares em 2025, deve alcançar 47,28 bilhões até 2035, com crescimento anual de 19,85% (Business Research Insights). Quando a produção da imagem se descola do mundo físico, ela ganha uma liberdade que nenhum set jamais ofereceu: tudo passa a ser possível, e o único limite é a ideia.

Da vitrine ao imaginário

A mudança não é só de volume, é de comportamento. Quando o público pode girar, aproximar e explorar um objeto em três dimensões, a relação com o produto muda de natureza. Uma pesquisa da Shopify encontrou um aumento de 27% nos pedidos quando os clientes interagiram com conteúdo em 3D (Shopify). A imagem deixa de ser algo que se observa e passa a ser algo que se manipula, e essa participação ativa transforma percepção em intenção.

Mas o efeito mais interessante do CGI acontece fora da vitrine, no território do desejo. Marcas como a JACQUEMUS entenderam que a imagem construída não precisa parecer real para ser verdadeira: cadeiras gigantes atravessando a cidade, bolsas do tamanho de carros, cenas impossíveis que existem apenas para serem lembradas. O CGI virou linguagem de imaginário, um jeito de dizer quem a marca é antes de dizer o que ela vende.

A imagem como ideia

Talvez seja esse o ponto que separa a boa produção digital do simples efeito. A tecnologia democratizou a capacidade de fabricar imagens impossíveis, e por isso mesmo o diferencial deixou de ser técnico. Quando qualquer coisa pode ser renderizada, o que importa não é o que se pode construir, mas o que vale a pena construir. A ferramenta é abundante; a ideia continua rara.

Uma nova dimensão da imagem não é apenas uma nova capacidade técnica. É uma nova responsabilidade criativa: a de decidir o que merece existir quando tudo é possível. Na TRESSDE, a MNNO® trata o CGI menos como um efeito e mais como uma forma de pensamento, um lugar onde a técnica existe para servir à ideia, e não o contrário. É desse cruzamento entre ofício e imaginação que nascem as imagens que ficam.