O processo é invisível

Existe uma injustiça silenciosa na forma como olhamos para o trabalho criativo. Quando uma solução chega bem resolvida, limpa, quase óbvia em sua clareza, ela apaga o próprio…

Existe uma injustiça silenciosa na forma como olhamos para o trabalho criativo. Quando uma solução chega bem resolvida, limpa, quase óbvia em sua clareza, ela apaga o próprio percurso que a tornou possível. O que se vê no fim é apenas a superfície: a ponta serena de algo que, por baixo, foi turbulento. A elegância do resultado costuma esconder a bagunça da criação, e é exatamente essa bagunça que ninguém aplaude porque ninguém enxerga.

A ponta do iceberg tem um preço

Toda ideia que parece simples é o resíduo de dezenas de versões que não sobreviveram. Rascunhos abandonados, caminhos testados e descartados, horas de conversa que não deixam rastro no arquivo final. O processo criativo não é uma linha reta até a resposta, é um vaivém. O design é um processo não linear e iterativo que as equipes usam para entender usuários, questionar suposições, redefinir problemas e criar soluções inovadoras para prototipar e testar.

Esse vaivém tem método. O pensamento divergente foca na quantidade em vez da qualidade, levando você a compartilhar ideias que podem parecer selvagens ou inviáveis. Depois, você reduz com o pensamento convergente. Você pode divergir e convergir muitas vezes antes de avançar com uma ideia. É desse movimento, invisível de fora, que nasce a distância entre a solução óbvia e a solução certa.

O que o invisível constrói

Há uma tentação de tratar o processo como custo, algo a ser encurtado. Mas os dados apontam o contrário. Segundo a pesquisa The Business Value of Design, as empresas no quartil superior do índice de design registraram 32% mais crescimento de receita e 56% mais retorno total aos acionistas em relação às concorrentes ao longo de cinco anos (McKinsey). O que sustenta esse desempenho não é o acabamento, é o percurso: o valor do design vem do rigor da alta gestão, do trabalho em equipe por toda a empresa, da iteração rápida e de uma obsessão constante pelo usuário (McKinsey).

O curioso é que a maioria das organizações ainda ignora justamente a parte invisível. Ainda segundo o mesmo estudo, mais de 40% das empresas pesquisadas não conversam com seus usuários finais durante o desenvolvimento, e pouco mais de 50% admitem não ter uma forma objetiva de avaliar o trabalho de suas equipes de design (McKinsey). Quer dizer: pula-se o percurso e cobra-se o resultado.

Valorizar o caminho, não só a chegada

Quem só valoriza o resultado nunca vai entender por que ele funciona. A simplicidade final não é o ponto de partida, é a recompensa de um processo que soube errar antes de acertar. As melhores refinações não vêm de um lampejo único, mas de sucessivas correções sobre protótipos, testadas até que a solução atenda de fato às pessoas para quem foi feita.

Talvez seja hora de mudar o que admiramos. Não apenas a peça pronta, mas a disciplina de quem atravessou a bagunça sem atalhos. Na MERINNO, é esse percurso invisível que tratamos como o verdadeiro ofício, o que separa o óbvio do certo. Se essa forma de pensar conversa com você, conheça um pouco mais do nosso trabalho em merinno.com.